Você topa incluir a igualdade entre mulheres e homens no trabalho na lista das suas prioridades de 2020?

Nunca se falou tanto em empoderamento de mulheres, igualdade de gênero e diversidade, certo? Essas pautas, ditas modernas, são lutas antigas; os direitos usufruídos hoje são resultado de muita reflexão, ação e coragem de mulheres (e homens também). Mas, como ainda estamos distantes da igualdade de direitos e oportunidades no trabalho, a solução é continuar refletindo, agindo e com coragem.

O lado positivo é que esta pauta hoje é defendida por várias organizações e instituições, nacionais e internacionais. Sua efetivação já provou promover justiça social, lucratividade, respeito às leis e crescimento econômico. Diversidade e inclusão impactam positivamente o resultado de negócio de empresas. Posso afirmar, depois de ampla pesquisa que conduzi por mais de dois anos na Inglaterra, que estudos, relatórios e dados comprovam tudo isso. E eu ainda complemento: o projeto por mais igualdade nas organizações traz satisfação pessoal!

Hoje, líderes dos mais diversos setores têm sido instados a demonstrar que aplicam, no seu dia a dia, os reais valores da promoção da igualdade, ou seja, que eles estão walking the talk. Muitos estão mesmo. Outros ainda não. Vamos falar sobre isso?

Já avançamos muito, mas ainda estamos longe

Como afirma o sociólogo Domenico de Masi, este não é o mundo ideal mas foi o melhor que conseguimos construir até agora. E nós todos participamos desta construção.

Deixaremos nosso legado seja qual for a nossa atitude: agindo, simplesmente assistindo ou até mesmo dificultando o progresso por ambientes de trabalho mais justos e inclusivos. Portanto, vale escolher uma posição. Como advogada, com experiência de quinze anos no mundo corporativo, asseguro que há muito material relevante disponível.  E todos podem participar deste projeto.

É fundamental incluir todas as mulheres

Este é um ponto crucial. Sempre que penso em igualdade de gênero, lembro da talentosa publicitária Samantha Almeida, que defende: “Tem muito mais sobre o mundo do que a nossa própria timeline”. Ou seja, nossas conquistas na carreira não são padrão. Precisamos olhar, escutar e incluir as várias possibilidades de ser mulher para que a transformação seja efetiva. Há dados e estudos excelentes que podem ser usados na construção de um projeto sério de igualdade de gênero no trabalho. E, nesta construção, temos que insistir que no Brasil 54% da população é negra.

Parece simples mas não é; é preciso aprofundar o debate

O tema parece simples para muita gente. Há uns dois anos, o presidente de uma empresa brasileira se lamentou comigo: “Mas você vai deixar de ser advogada de empresas para pesquisar gênero e trabalho?” E ele completou “Você acha necessário? A constituição atual já proíbe a discriminação entre homens e mulheres no trabalho”.  Mas, na realidade, o tema é bem complexo. Para começar, a diferença salarial por um mesmo trabalho não foi proibida pela Constituição atual, mas sim pela Constituição de 1934. Ou seja, se fosse “questão de tempo”, os dados não apontariam ainda tanta desigualdade.

E por mais que iniciativas relevantes sejam realidade em muitas organizações, ainda vemos a desigualdade estampada por aí. No mês passado, revistas brasileiras renomadas celebraram os destaques de 2019 e em apenas uma das capas vimos uma mulher. E uma mulher branca. A questão é complexa e é necessário aprofundar o debate para construirmos soluções juntos. Ao mesmo tempo que muitas conquistas vêm acontecendo, a desigualdade ainda é “naturalmente” perpetuada.

A igualdade entre homens e mulheres beneficia todos 

O programa de igualdade de gênero no trabalho não deveria ser o projeto do grupo de mulheres da empresa. Deve ser de todos, patrocinado pela alta liderança! Afinal, os projetos mais relevantes têm o forte apoio da alta liderança. E mais: empresas com mais inclusão são mais lucrativas. As evidências estão em estudos e relatórios. Ou seja, as empresas ganham. Mulheres, homens e crianças se beneficiam com uma sociedade mais saudável onde oportunidades no trabalho e responsabilidades com família são compartilhadas. Ou seja, a sociedade ganha. Através de diálogo e planejamento de ações, é possível construirmos juntos um projeto para diminuir a desigualdade atual.

Esse assunto diz respeito a todas e todos

Em primeiro lugar, porque estamos todos construindo o futuro. Com minha pesquisa, onde analisei as alternativas mais eficientes para diminuir a desigualdade entre homens e mulheres no trabalho, posso assegurar que podemos trabalhar com a igualdade como nosso propósito. Não há uma única saída mas sim várias iniciativas que podem ser implementadas. Lembram da frase “o poder traz responsabilidades”? Pura verdade! E traz também possibilidades. Acredito no poder de encontros onde conteúdos sejam divididos e experiências trocadas para a construção objetiva de alternativas. O tema da igualdade de gênero, globalmente valorizado, precisa ser aprofundado para transformações efetivas. Essa responsabilidade-possibilidade é de todos nós. Por fim, respondendo àquela pergunta que me foi feita há uns dois anos. “Hoje eu sou mais advogada do que nunca: apoiando líderes interessados em transformarem suas organizações em ambientes mais justos e produtivos, com argumentos baseado em dados, evidências de pesquisas, muita leitura, escuta, reflexão e ações.

Então, me diga: você topa incluir a igualdade de gênero no trabalho na lista das suas prioridades de 2020?

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